Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de maio de 2011

SACANAGEM

Sacanagem (Kailani)- Da série poesias complementares
Eu não sei falar de sacanagem
Talvez saiba fazer
Porém, há coisas que não precisam ser ditas.
Os corpos tremem,dizem.
Eu não sei falar de sacanagem,
Mas talvez meu corpo saiba.
E numa noite quem sabe,saibas!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não sei...


Ás vezes quero...não sei. abraço, ,cheiro, céu e beijo. as vezes quero chão, mão na mão, carinho. Nem sempre quero vitória, sempre quero história, nem sempre a minha. talvez a nossa...
não quero verdades, nem fantasias...quero uma mentira nossa, quero torta, porta aberta e pão. Quero um café , sozinho e quente. Quero palavras breves e sussurros. quero...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O FOTÓGRAFO Manuel de Barros

O FOTÓGRAFO
Manuel de Barros

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Por fim, eu enxerguei a Nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski - seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Raimundo: um conto Natalino




Brejo é um lugar alagadiço, cheio de lama.
Lugar onde vive o sapo.
O sapo pra quem não sabe é um bicho esquisito.
Vive meio na terra, meio na água.
Não tem pescoço nem rabo.
Sapo não fala,sapo coaxa!
Sapo não sabe fazer poesia.
Poesia é a arte do poeta.
Abstrata ou concreta.
Direta ou indireta.
Aparente ou discreta.
Pode ser presa a uma forma ou liberta.
Todo mundo é poeta!
Pra ser poeta não é preciso escrever,
basta transformar o que se sente e o que se vê em poesia.

Raimundo também vive no brejo, mas não é sapo.
Raimundo vive numa casinha cercada de sapos.
Raimundo engole sapos! Raimundo é pobre!
Pobre é quem não tem riqueza, pobre só tem pobreza.
Pobre é quem trabalha muito e pouco ganha.
Pobre é maltratado, explorado e esquecido.
Pobre não tem dinheiro.
Raimundo é pobre e , sem saber, é poeta!
É poeta porque sabe transformar tristeza em alegria.
Pobre também é gente…

Raimundo quando criança acreditava em Papai Noel!
Papai Noel sempre se esqueceu de Raimundo.
Raimundo cresceu e esqueceu de Papai Noel.

Papai Noel é rico, trabalha pouco e ganha muito.
Papai Noel é dono de uma fábrica de presentes.
É um velhinho gordo e contente.
Vive em um lugar frio, em outro continente.
É barbudo e usa roupa vermelha e quente.
Anda sempre carregando um saco de presentes.

Papai Noel caiu no brejo, lugar onde vivem os sapos e Raimundo.
Papai Noel , coitado, ficou atolado.
Papai Noel tinha muitos presentes pra entregar, ficou preocupado.
Chamou Raimundo e disse:
_Vai Raimundo, entregar os presentes.
Raimundo foi.
Papai Noel engoliu muitos sapos.
Nesse dia o pobre foi lembrado.
Raimundo girou o mundo.
E lembrou de todo mundo, não esqueceu ninguém.
Brejo,beco,mangue.
Viadutos, favelas, ruas…
Muita gente estranhou: que papai Noel diferente!
É magro, é sujo..é gente!
E naquele dia Papai Noel existiu pra todo mundo!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Los Nadies- Eduardo Galeano


"Sueñan las pulgas con comprarse un perro y sueñan los nadies con salir de pobres, que algún mágico día llueva de pronto la buena suerte, que llueva a cántaros la buena suerte; pero la buena suerte no llueve ayer, ni hoy, ni mañana, ni nunca, ni en llovizna cae del cielo la buena suerte, por mucho que los nadies la llamen y aunque les pique la mano izquierda, o se levanten con el pie derecho, o empiecen el año cambiando de escoba.
Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.
Los nadies: los ningunos, los niguneados, corriendo la liebre, muriendo la vida, jodidos, rejodidos:
Que no son, aunque sean.
Que no hablan idiomas, sino dialectos.
Que no profesan religiones, sino supersticiones.
Que no hacen arte, sino artesanías.
Que no practican cultura, sino folklore.
Que no son seres humanos, sino recursos humanos.
Que no tienen cara, sino brazos.
Que no tienen nombre, sino número.
Que no figuran en la historia universal, sino en la crónica roja de la prensa local.
Los nadies, que cuestan menos que la bala que los mata".

(El libro de los abrazos).