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domingo, 11 de maio de 2014
É PRECISO SIM, CHORAR SOBRE O LEITE DERRAMADO (Marcelo Valle)
Somos humanos ( ou deveríamos ser), mas também somos mamíferos, fato que nesse sentido , nos iguala aos morcegos, ratos, golfinhos e porque não dizer, às vacas. É justamente das vacas que vem a maior parte do leite que consumimos depois de “naturalmente” desmamados. E continuamos, pois, a explorá-las ao longo de toda a vida ( da vaca e da nossa): queijos, bolos, doces, cremes, cosméticos, iogurtes, gordura, trabalho, couro, chifre, ossos e até mesmo o mugido. Ora, mas voltemos ao leite. Embora existam controvérsias como sempre houve, ligadas às suas qualidades nutricionais, se ele nos faz bem ou faz mal, o fato é que o leite nos é quase sagrado, quase. Agora, imagine você , um certo senhor Jesus ensinando ao seus apóstolos a seguinte oração: “ O leite nosso de cada dia nos dai hoje...”
Talvez tudo fosse diferente, talvez...
As mulheres, as fêmeas de nossa espécie, nos dão a luz e isso nos bastaria para amá-las e dignifica-las por “longa vida”. As mulheres nos amamentam, nos dão leite e com ele fortalecem nosso frágil sistema imunológico, o leite materno nos é essencial. Opa, não poderia de deixar de dizer que, sobretudo o AMOR DE MÃE nos é essencial ( não no mesmo nível,claro). Mas, enfim, voltemos às vacas.
Nascido em uma cidade de interior, onde os limites entre o rural e urbano eram muito tênues, me acostumei desde criança a ouvir casos de adulteração do leite ( de vaca), mas esses casos se limitavam às competições entre vacas produtoras nas exposições agropecuárias. Recentemente, mais uma notícia entre outras tantas me deixou chocado: a adulteração e o “reaproveitamento” de milhares de litros de leite estragados. Leite que foi quimicamente alterado utilizando-se , entre outros produtos, a soda caustica, elemento extremamente corrosivo. Longe das tetas das vaca, ironicamente nas caixinhas de “longa vida”, nossa vida vai sendo encurtada.
Lembrei-me também do caso de diversas mulheres indígenas que vinham ( e talvez ainda venham) sendo sistematicamente envenenadas por agrotóxicos oriundos da pulverização dos campos de soja no Mato Grosso. O veneno absorvido pelo organismo dessas mulheres, muitas delas grávidas, era repassado aos seus bebês!
Hoje é dia das mães , não é? Ligo a TV e assisto dezenas de homenagens, sobretudo vinda de Bancos, financeiras, lojas, empresas de cosméticos. A Televisão faz questão de me lembrar: compre, compre, compre, compre, compre, compre, você tem mãe FILHO DA PUTA!!!
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Quem tem medo de Aranha?

Tecnologia social ou “tecnologia do improviso”?
Moro em Niterói e trabalho no Rio de Janeiro, o engarrafamento é certo para ir e para voltar. O fluxo é lento e contínuo, centenas de carros atravessam a ponte. Já chegando ao Rio, uma imagem sempre me impressiona, o pátio do porto lotado de carros novos, milimetricamente organizados! Carros, carros e mais carros…
Inevitavelmente uma pergunta sempre me vem à cabeça, com tantos carros novos o que é feito dos velhos? Imagino milhares de concessionárias fazendo promoções de “usados”, imagino periferias abarrotadas de ferros velhos e desmanches. Imagino mais engarrafamentos! No entanto, em pequenas cidades do interior do Brasil, de norte a sul, oficinas caseiras dão outro destino aos veículos usados. Ali, eles são transformados em pequenos utilitários. Veículos de carga utilizados nas propriedades rurais para o transporte e escoamento da produção. Em Alfredo Chavez, município montanhoso localizado no sul do Espírito Santo, produtor de bananas e leite, circulam centenas carrinhos batizados “Aranhas”. Somente as “Aranhas” conseguem subir as encostas íngremes e passar por terrenos acidentados onde são plantadas as bananas. O espaço do carro é otimizado para o transporte da carga e para o combustível. Geralmente, do lado do motorista vai o bujão de gás, atrás, numa carroceria improvisada, vão os produtos. Nem sempre é assim, existem muitos modelos personalizados ou “customizados” ao gosto do freguês. Do carro usado aproveita-se o chassi, motor e parte da lataria. No Oeste de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul veículos parecidos são utilizados no transporte de fumo, frutas e hortaliças. Em grande parte do nordeste milhares de veículos são adaptados para fazerem o transporte público, transporte escolar, mas isso é outra história….aguardem!
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